sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A grande guerra

A noite foi longa. Até parecia que o número de horas havia aumentado. Tudo isso,  devido ao péssimo sonho que tive. Ao acordar, me lembrava de muitas coisas. Vou lhe contar como foi. 

O mundo estava em guerra. Mas era uma guerra diferente. Não havia uso de armas, nem de novas tecnologias com potencial de grande destruição. Bombas também não eram vistas. Essa guerra poderia ser considerada uma das maiores de todos os tempos. Era  silenciosa, mas arrancava lágrimas e altos prantos. Era invisível, mas seus efeitos poderiam ser facilmente notados. Era singular para cada pessoa, mas universal em sua abrangência. 

Eu tive a péssima oportunidade de ver diferentes cenas dessa guerra. Vou lhe dizer o que vi. Era a guerra do "troco". Eu vi um homem adulto descontando nos filhos a falta de amor que viveu durante seus primeiros anos de vida. Vi jovens mudando e abandonando os amigos mais fiéis, porque quando eram crianças seus irmãos os haviam desprezado e preferido os aparentes amigos. Mas eu também vi coisas que pareciam não ter sentido, atitudes que,  aparentemente,  não tinham explicação. 

Belas moças optavam por garotos sem compromisso e que não tinham o menor respeito com elas. O pior é que elas tinham outras opções, sim! Haviam rapazes bem intencionados e respeitosos, mas não era disso que elas estavam em busca. Os de boas intenções sofriam e se fechavam para o amor. Vi também que os homens usavam as mulheres e mulheres usavam os homens. Havia apenas o desejo pelo imediato, pelo que poderia ser sentido naquele momento. O que restava era um vazio de ambas as partes. Vi pessoas tomadas pelo sentimento de ambição e fazendo o impossível para alcançar as riquezas, não mediam esforços e acabavam menosprezando outros. Havia também os que viviam pela rivalidade e desejo de vingança, era como se o sofrimento do "inimigo" saciasse uma sede interior. 

Estas foram algumas cenas ruins de uma guerra. Haviam pessoas mutiladas emocionalmente por todos os lados. A grande maioria seguia um caminho obscuro e sem esperanças. 

Mas eu gostaria de lhe dizer uma coisa: nessa guerra eu também vi coisas boas. Isso mesmo, boas. Vi uns teimosos que iam na contra mão da maioria. Era magnífico observar aquilo. Vi pessoas que superaram abusos sexuais da infância e amavam sem medida. Vi amigos que estavam juntos em todos os momentos. Vi moças e rapazes vivendo romances puros e sinceros. Houve algo que me chamou atenção em meio a tudo isso. Certa jovem que havia sido muito magoada por um rapaz, ao ser questionada se o odiava, disse: "Cada um oferece aquilo que têm. Quem odeia e machuca, faz isso porque é o que tem em maior quantidade. Eu tenho amor, e é isso que eu ofereço, independentemente dos outros merecerem ou não."

Com essa frase, meu terrível sonho teve fim. Ainda bem que quando acordei voltei à realidade. Vivo em um lugar onde o amor e o respeito são mútuos. Duvido muito que em algum lugar exista uma guerra como desse sonho, seria algo verdadeiramente triste. Seria.

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